quinta-feira, setembro 23, 2010

UMA TURMA SEM DESISTÊNCIAS

Final do terceiro bimestre. Aplicação do exame bimestral. Olho para a lista de frequência e todos estão lá. Ninguém desistiu. Ninguém foi transferido de escola. Ninguém faltou. Nestes quinze anos de profissão esta é a primeira vez que denoto este fato. Tenho a esperança de que todos sejam aprovados para a terceira série do ensino médio.


Enquanto uns se encotram em pleno estado de concentração nas leituras e cálculos, outros se encontram inquietos. Alongam os pescoços, esticam os braços, coçam os olhos e parece que nada funciona. Apesar tudo o silêncio paira pela sala apertada com quarenta e quatro alunos perfilados em cinco colunas.

O silêncio só é interrompido quando chega algum dos professores titulares das matérias nas quais os alunos estão sendo examinados (biologia, geografia e matemática). Nestes momentos os alunos e alunas aproveitam para tirar alguma dúvida.

No fundo da sala um aluno se encontra com a prova de matemática na mão. Ele coça a cabeça, rabisca alguma coisa, pára, recomeça e por fim parece desistir. Quando lhe pergunto se já terminou, ele responde:

_ Só a de matemática que não vou fazer.

Poucos minutos se passam e outros quatro decidem desistir. Entregam suas três provas. No meio delas, as de matemática. Em branco. Mais alguns minutos e outro aluno entrega. Destas vez todas as provas respondidas. Cálculos realizados. E mais um aluno, matemática em branco.

Os outros alunos e alunas permanecem em seus movimentos contorcionistas. Agem como se estivessem realizando cálculos mentais.

Passa mais alguns minutos e outros vão entregando suas provas. Objetivas respondidas, cálculos em branco nas provas de muitos. Só restam agora 26 de 44 alunos e alunas.

Ainda tenho esperança de que todos passem para a série seguinte, mas receio que muitos passarão com recuperação paralela.

Terão que fazer trabalhos complementares, sob responsabilidade das famílias. Serão aprovados, mas as dificuldades permanecerão.

Decido provocar um pouco a turma:

_Hoje escreverei sobre vocês.
_Coisas boas ou ruins? Pergunta uma aluna.

_Sempre procuro escrever coisas boas, mas não dá para falar só de coisas boas porque pelo menos a metade da turma tende a entregar a prova de matemática em branco.

... E todos concordam comigo. Permanecem tentando. Não percebi mais provas totalmente em branco..., mas

... recebi lamentos.

_ Eu estudo, faço os exercícios, mas na hora da prova, tudo some. Eu nunca vou conseguir aprender matemática.

Eis a minha inquietação:

Não conseguir aprender matemática;
Saber que "não precisa aprender matemática". Existe a recuperação paralela (dependência).

Algo realmente está em desacordo neste processo. Conheço o esforço da professora para realizar o seu trabalho com o maior dos esmeros e conheço também a dificuldade dos alunos e alunas para realizarem operações lógico-matemáticas. Afinal de contas eu também preciso que eles saibam.

Como deve ser do conhecimento de todos o processo de recuperação paralela (dependência) permite que os alunos e alunas da rede pública sejam promovidos para a série seguinte, mesmo que tenham sido reprovados em até duas matérias na série anterior. Estas serão cursadas paralelamente, de forma direta, com aulas presenciais ou de forma indireta, com o acompanhamento familiar.

Devido a precariedade de acompanhamento, os alunos acabam sendo avaliados neste processo por meio de trabalhos, o que abre margem para que muitos contratem outras pessoas para o fazer em seus lugares. Esta prática compromete totalmente os objetivos estabelecidos no projeto pedagógico.

Assim, foi gerado um vício na Secretaria de Educação. Os alunos deliberadamente, escolhem uma ou duas matérias para ficarem de dependência.

E o pior é que estou falando de uma das melhores turmas da escola. Das mais participativas nas minhas aulas, mas que, infelizmente, se encontra nestas dificuldades.

4 comentários:

  1. Nós não escolhemos ficar de dependência em matemática ela que é complicada demais....

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  2. As vezes é preciso se esforçar mais, tentar ao menos aprender, mas matemática é uma coisa que por mais que eu me esforce, tente e retorne a tentar não consigo aprender... Até que na hora que a professora explica eu faço corretamente, nos exercícios complementares para casa consigo realizar com exito, mas é como se tudo aquilo que com o maior esforço entrasse em minha mente saisse em um passe de mágica e torno a não saber nada, torno a estaca zero!Aí o que me resta a dizer???? Matemática as vezes nem os mais esforçados conseguem aprender...
    Confesso que estou com muito medo de reprovar, mas estou com medo mesmo é do que minha família vai pensar:"TANTO SACRIFÍCIO PARA NADA!"E me bate um remorso, uma agonia, me dá votade de chorar só de pensar que minha família vai se decepcionar comigo, só de pensar que me tornarei uma imprestável, me tornarei alguem que não é capaz de tirar uma mísera nota boa em matemática nem que fosse para agradar aquelas que mais amo!!!!!!!!!!!!! Então me proponho a estudar mais,me esforsar mais e tentar nessa reta final fazer com que até eu mesma me orgulhe das minhas ações e se não conseguir pasciencia me esforçar eu vou mas o resultado desse sacrifício... só o tempo vai poder dizer.....................
    Mayara Souza
    2º "A"

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  3. Gosto de matemática, não porque tiro notas boas mas pelo fato de ter facilidade para aprender essa matéria, e quando digo facilidade falo de não precisar estudar para fazer a prova e ainda assim conseguir me dar bem, coisa que não acontece com português. Mas tenho medo das questões de matemática que são aplicadas em vestibulares e até mesmo na Olimpíada de Matemática, prova disso foi uma experiência ruim que tive com a prova do PAS 2009 na 1ª etapa, não consegui sequer entender as questões de cálculo, fiquei muito triste e cheguei a conclusão que as questões de matemática da prova tinham uma linha de raciocínio bem diferente da matemática que aprendo na escola e decidi então este ano voltar assim como o professor de química recomendou a estudar a matéria do ensino fundamental e a resolver questões de lógica. Não sei se estou no caminho certo, espero que sim. E recomendo a quem tem dificuldade com matemática, português ou qualquer outra matéria e que estuda para fazer as provas ou pelo menos procura entender a matéria, não ficar nervoso na hora da prova, procurar simplesmente se concentrar e ficar calmo, afinal de contas é só uma prova, que como o nome bem diz serve apenas para saber o que você aprendeu da matéria.

    Kamila Lopes da Costa
    2ºB

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  4. ninguem e perfeito 2°C

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